Blog do Hektor

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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

 

UNS DIAS
 NA
INFÂNCIA

 Link: Vídeo com o livro original "Uns Dias na Infância".

 


 

*MARCO ALEXANDRE*

*DA*

*COSTA ROSÁRIO*

 

 

CONTO, POESIA & DESENHOS

 

 

EDITORA MORANGOS E UVAS

(SEACULUM OBSCURUM)

 

BLITZBUCH

1985


Uns Dias na Infância: versão original de 1985 e versão digitalizada de 2000 (impressa em 2005)

 

*SUMÁRIO

  

1 – UM DIA EM 1974.

 

2 – A LOJA DE BRINQUEDOS.

 

3 – O TRISTE CORAÇÃO DE MICHELLE.

 

4 – PÉROLA.

 

5 – OUTRA VEZ NOS CAMPOS DE MORANGO.

 

6 – OUTRA VEZ UM NATAL.

 

  

UM DIA EM 1974.

  

                            Lá estava ele, olhando os carros, encostado no poste. Seu nome? Cor-de-Lágrimas. Encostado no poste ele lembrava longos dias de um passado distante. Mas, como foi mesmo? Sim, aqueles dias maravilhosos! E entre eles um especial...Um Dia em 1974!

 

                        Cor-de-Lágrimas era uma criança. Brincava todos os dias com seus companheiros na rua. Naquele dia ele estava olhando a televisão. Sim, foi aí que tudo começou. Um homem com óculos de cebola saltou de dentro da televisão.

 

                         - Hello, meu jovem! Como vai a vida? Disse o homem com um sorriso nos lábios.

 

                         - Quem é você?!!! Perguntou Cor-de-Lágrimas.

 

                        - Meu nome é Óculos-de-Cebola e tenho um KALEIDOSCÓPIO SURREALISTICAMENTE AMARELO. Não quer dar uma volta nele?

                         - Você tem um Kaleidoscópio Amarelo?

 

                         - Mas é claro meu amigo. Escute o som dos motores...

 

 - Mas eu não escuto nada.

 

                         - Ora, meu rapaz, este som não é qualquer um que escuta. Ouça outra vez...

 

                        Cor-de-Lágrimas ouviu uma música se aproximando e, finalmente, lá estava ele, o Kaleidoscópio Amarelo.

 

                         - Como é grande, Óculos-de-Cebola!!! Posso dar uma volta nele?

 

                         - Claro meu amiguinho. Entre, por favor.

 

                         - Cor-de-Lágrimas entrou pela escotilha do Kaleidoscópio. Dentro do Kaleidoscópio não havia controles, havia apenas instrumentos musicais.

 

                         - Como o Senhor faz isso andar?!!! Perguntou Cor-de-Lágrimas.

 

                         - É só tocar um instrumento musical. Pegue o violão e toque um .

 

                         - Cor-de-Lágrimas pegou o violão e tocou um . O Kaleidoscópio Verde deu um pulo bem alto e voltou ao chão.

 

                         - Estúpido!!! Eu disse para tocar um e não um . Gritou Óculos-de-Cebola.

 

                        Cor-de-Lágrimas começou a soluçar.

 

                         -  Ora meu amigo. Eu não quis brigar com você. Eu só disse para você tocar um . Você não sabe o que é um ? Escute...lááá....Ouviu?!!!! Toque agora.

 

                        Cor-de-Lágrimas deu um sorriso e tocou um . O Kaleidoscópio Azul saltou três vezes.

 

                         - Me dá isso aqui!!! Com crianças inexperientes não se pode mesmo confiar. Disse Óculos-de-Cebola.

 

                        Então, pegando o violão, Óculos-de-Cebola tocou um . O Kaleidoscópio Verde submergiu no mar da imaginação.

 

                         - Que acha?!!! Não é mesmo maravilhoso? Falou Óculos-de-Cebola.

 

                         - Cor-de-Lágrimas olhava as cores do mar da imaginação, elas dançavam na sua frente. Nunca tinha visto algo assim.

 

                         - Senhor Óculos-de-Cebola, para onde estamos indo?

 

                         - Você já ouviu falar no mar de quadrados?

 

                         - Não, nunca.

 

                         - Você já viu um tabuleiro de xadrez?

 

-         Já.

 

-         Pois é para lá que estamos indo.

 

                        O Kaleidoscópio Vermelho ia cintilando pelas águas do mar da imaginação. Em pouco tempo ele entrou nas águas do mar de quadrados.

 

                        O Kaleidoscópio Rosa emergiu de um quadrado branco. Óculos-de-Cebola abriu a escotilha e saiu levando uma cadeira com a mão direita e uma harpa com a mão esquerda. Ele sentou-se sobre um quadrado negro e ficou tocando sua harpa. As notas que saiam da harpa iam colorindo o mar de quadrados.

 

                         - Divirta-se, meu garoto, antes que o jogo comece. Disse ele para Cor-de-Lágrimas.

 

                        Cor-de-Lágrimas saltava, feliz, de um quadrado para outro. Entre quadrados Pretos e Brancos ele saltava e olhava as cores que jorravam de cada um deles e em cada um havia uma música feita com pequenos instrumentos tocados pelos Chanterfields[1]. Ele, então, aproximou-se das duas rainhas e, pegando suas mãos, começou a dançar pelo mar de quadrados.

 

                        Um Chanterfield começou a cantar uma antiga canção do reino:

 

 

EL REY

 

Eu vi El Rey

Andar de Quatro

De Quatro Caras Diferentes

De Quatrocentas Celas

Cheias de Gentes

 

Eu Vi El Rey

Andar de Quatro

De Quatro Patas Reluzentes

De Quatrocentas Mortes...

 

Eu Vi El Rey

Andar de Quatro

De Quatro Poses Atraentes

De Quatrocentas Velas

Feitas Duendes.[2]

 

                        Olhavam os dois reis com ciúme, mas não podiam fazer nada pois só andavam um quadrado de cada vez.

 

                        As rainhas deixaram Cor-de-Lágrimas perto de Óculos-de-Cebola que dedilhava sua harpa. Um peão veio correndo e parou diante dos dois.

 

                         - Vossa Majestade, o Rei Branco, pede que vocês se retirem, pois o jogo já vai começar. Disse o Peão do Rei Branco.

 

                        Cor-de-Lágrimas olhou tristemente para Óculos-de-Cebola, mas nada podia ser feito.

                        Os dois entraram no Kaleidoscópio Marron e partiram novamente pelo mar da imaginação. Novas cores, novas notas musicais Cor-de-Lágrimas encontrou, enquanto Óculos-de-Cebola tocava uma flauta.

 

                         - Senhor Óculos-de-Cebola, se eu pedir uma coisa o Senhor faria.

 

                         - Mais é claro, meu garoto. O que é?

 

                         - É que eu estava brincando no tanque de lavar roupas com meu avião, lá no quintal de casa, e o piloto caiu dentro do cano.

 

                         - Ah! É muito fácil, meu amigo. Pegarei a gaita e em pouco tempo estaremos dentro do cano.

 

                        Assim foi feito e num piscar de olhos estavam dentro do cano do tanque de lavar roupas. Muitas cores eles encontraram pela frente, mas logo tudo ficou azul. Em pouco tempo encontraram o piloto desaparecido. Cor-de-Lágrimas saiu pela escotilha com Óculos-de-Cebola atrás.

 

                         - Bem, meu amigo. Vou ter que ir agora, disse Óculos-de-Cebola e tocou uma nota na sua harpa que sempre trazia na mão.

 

                        Os dois, agora, estavam diante da televisão outra vez. Óculos-de-Cebola despediu-se e entrou dentrofora do Kaleidoscópio Amarelo, e sumiu por dentro da televisão.

 

                        Cor-de-Lágrimas ficou olhando seu amigo partindo. Depois, ficou feliz pelas aventuras do dia.

 

                        Quando a noite chegou, ele, depois do jantar, foi para a cama dormir um profundo sono profundo. Lá fora, na rua, uma fina chuva caia.

 

                        Então ele começou a sonhar. E foi caindo e subindo por dentro do sonho.

 

 

 

A LOJA DE BRINQUEDOS.

                         Ele acordou dentro de uma Loja de Brinquedos. Lá estavam o soldadinho de chumbo, Branca de Neve com os 700 mil anões, a bailarina da caixinha de música, os carros de corrida e muitos outros brinquedos.

 

                         - Ei, Garoto! Alguém chamou Cor-de-Lágrimas. Era um gato de pelúcia que estava atrás de uma enorme cortina.

 

                         - Como vai, meu rapaz?!!! Recomeçou o gato.

 

                         - Tudo bem, Sr. Gato! Disse Cor-de-Lágrimas.

 

                         - Ei, companheiros, temos visitas!!! Gritou o gato para seus companheiros.

 

                         - Que garoto bonito!!! Exclamou a Princesa do Castelo de Uvas.

 

                         - Vamos dar uma festa para ele!!! Gritou o Soldadinho-de-Chumbo.

                        Logo uma banda foi feita: o Saxofone, a Bateria, o Banjo, a Gaita e o Contrabaixo. Todos começaram a dançar pelo salão. Uma outra música feita com pequenos instrumentos nasceu de uma caixa de música. A bailarina pegou nas mãos de Cor-de-Lágrimas e os dois começaram a dançar encima de um Castelo de Espelhos.

 

                        Cor-de-Lágrimas perguntou à bailarina:

 

                         - Que lugar estranho é esse?

 

                         - Aqui é o Castelo dos Espelhos. Tudo aqui é imaginação. Respondeu a bailarina.

 

                        Tendo dito isto, começou a bailar pelo grande Salão de Espelhos. Agora o Salão de Espelhos transformara-se em um grande salão de Gelo.

 

                        A bailarina dançava pelo salão como se fosse uma borboleta voando pelo céu. Repentinamente, apareceram no salão um grande número de libélulas coloridas. O Salão de Espelho-Gelo refletia o colorido das libélulas. As cores encheram o salão e tudo dentro começou a flutuar.

 

                        A bailarina e Cor-de-Lágrimas dançavam, agora, por dentro das cores.

 

                         - Não é melhor nós voltarmos para a festa? Perguntou Cor-de-Lágrimas.

 

                         - Está bem, garoto! Disse a bailarina.

 

                        Então, ela fez sinal para uma das libélulas, e os dois voaram por dentro das cores até sair do Castelo dos Espelhos.

 

                        No salão da Loja a festa continuava animada.

 

                        Um grande bolo surgiu e a festa durou até a madrugada.

 

                         - Amigos, vamos cantar a canção “Todos Juntos Agora”, antes que o dia amanheça. Disse um carrinho de corrida.

 

                        O Ursinho de veludo pegou uma gaita, o peixinho de vidro pegou sua corneta, o Soldadinho-de-Chumbo sentou-se na bateria, a bailarina pegou o violão e todos juntos começaram a tocar:

 

All together now

 

One two three four, can I have a little more?

Five six seven eight nine tem, I love you,

A b c d, can I bring my friend to tea?

E f g h i j, I love you.

 

Bom bom bom bompa bom, sail the ship, bompa bom,

Chop the tree, bompa bom, skip the rope, bompa bom. Look at me.

 

All together now, all together now,

All together now, all together now.

All together now, all together now,

All together now, all together now.

 

 

Black white green red, can I take my friend to bed?

Pink brown yellow orange and blue, I love you.

 

All together now, all together now,

All together now, all together now.

All together now, all together now,

All together now, all together now.[3]

 

                         - Todos juntos agora! Agora! Agora! Gritou Cor-de-Lágrimas.

 

                         - Acorda, meu filho! Outra vez sonhando, heim! Quem falava era a mãe de Cor-de-Lágrimas.

 

                        O garoto despertou um pouco assustado, porém, estava alegre. Sua mãe nunca entenderia o Castelo dos Espelhos. Afinal, ela não era mais criança, e os adultos, agora Cor-de-Lágrimas sabia, só conseguem ter pesadelos.

 

 O TRISTE CORAÇÃO DE MICHELLE.

 

                             Cor-de-Lágrimas levantou-se bem cedo naquela manhã.

 

                        Havia uma menina que morava do lado de sua casa. Seu nome era Michelle e era um pouco mais velha do que ele. Todos os dias eles brincavam juntos: subiam nas árvores, colhiam flores nos jardins, mas a brincadeira preferida era o esconde-esconde. Um dia ela escondeu-se e quando Cor-de-Lágrimas foi procura-la não mais a encontrou.

 

                        No dia seguinte, às 6 horas da manhã, Michelle levantou-se e abriu a porta do seu velho quarto. Olhou a rua com olhos de sonhadora tentando desvendar os mistérios do dia. E lá se foi ela, pisando na solidão da rua, enquanto o sol levantava-se no horizonte.

 

                        Cor-de-Lágrimas acordou cedo também e foi para a janela esperar por sua amiga, desejando as respostas para o seu enigmático desaparecimento no dia anterior.

                         - Aonde você vai? Perguntou Cor-de-Lágrimas.

 

                         - Vou procurar vaga em algum colégio. Respondeu a menina.

 

                         - Para quê? Perguntou ele outra vez.

 

                         - Para estudar e me livrar do sacrifício de nossas vidas. Disse ela com um sorriso nos lábios.

 

                         - E depois? Você não vem brincar comigo?

 

                         - Depois irei para meu velho quarto onde há segredos que ninguém sabe. Hoje não posso brincar contigo.

 

                        Cor-de-Lágrimas olhava a amiga caminhando pela rua. Com tristeza no coração, ele voltou para dentro do quarto. Não entendia por que não haveria de brincar com a companheira naquele dia.

 

                        Alguns dias se passaram. Novamente a garota saiu de seu quarto e olhou a rua deserta. Cor-de-Lágrimas outra vez foi para a janela, esperar, ansiosamente, as respostas da manhã.

 

                         - Aonde você vai? Começou ele.

 

                         - Vou procurar vaga em alguma fábrica. Disse ela.

 

                         - Para quê? Perguntou Cor-de-Lágrimas.

 

                         - Para amenizar o sofrimento de nossas vidas.

 

                         - E o colégio? Perguntou ele outra vez.

 

                         - Não havia vagas. Respondeu ela.

 

                         - E depois? Você não vem brincar comigo?

 

                         - Depois irei para a solidão de meu quarto, onde tenho guardado uma caixinha com todas as lágrimas da minha vida. Eu não brincarei contigo outra vez.

 

                        Ela tinha uma caixinha onde guardava todas as lágrimas de sua vida.

 

                        Cor-de-Lágrimas começou a chorar porque a amiga não mais voltaria a brincar com ele. Silencioso, ele entrou em seu quarto.

 

                        Muitos dias haviam se passado. Michelle não era mais uma menina, ela agora era uma mulher.

 

                        Num dia, Cor-de-Lágrimas levantou-se cedo e foi para a rua brincar. Do começo ao fim da rua não se via ninguém. Passou-se alguns segundos e Cor-de-Lágrimas avistou alguém vindo em sua direção. Era Michelle que estava chegando da rua naquele dia. Cor-de-Lágrimas esperava apreensivo as respostas do dia.

 

                         - Da onde você vem?

 

                         - Estou chegando da rua, onde as mulheres da noite são tristes e onde as lágrimas estão sempre ocultas pela dor. Disse ela com lágrimas nos olhos.

 

                         - E o colégio, a fábrica? Perguntou Cor-de-Lágrimas.

 

                         - Não havia vaga em nenhum lugar. Respondeu Michelle.

 

                         - E agora.. O Que você vai fazer? Perguntou Cor-de-Lágrimas.

 

                         - Agora irei levar meus segredos e lágrimas para os homens em troca de alguns trocados.

 

                        Ela levou seus segredos e suas lágrimas e os homens as despedaçaram. Cor-de-Lágrimas entrou em sua casa e ficou muitos dias meditando nas palavras da amiga. Nunca mais ele a viu. Ela desapareceu de sua casa e por longo tempo Cor-de-Lágrimas não ouviu falarem dela.

  

PÉROLA

                         Certa vez Cor-de-Lágrimas conheceu uma moça. Seu nome era Pérola. Sempre que ele ouvia uma certa canção, lembrava-se de Pérola. Esta canção era uma antiga cantiga dos velhos tempos, quando os poetas bailavam pelas aldeias, ébrios, declamando seus versos para belas moças que em troca lhes davam um sorriso de compreensão e amor.

 

                        Esta canção falava de uma moça que tinha olhos verdes, cabelos castanhos que iam até a cintura, vestidos do mais profundo azul, e que morrera num lago. Porém, quem passava pelo lago ouvia sempre um canto de amor. Neste momento, dizia a canção, brotavam na margem as mais belas flores e os pássaros vinham cantar e voar em redor do lago. Todas as vezes que Cor-de-Lágrimas ouvia esta canção lembrava-se de Pérola. Mas, quem era esta tal Pérola.

 

                        Pérola era uma cantora que vivia nos bares da cidade. Cor-de-Lágrimas sempre a via passar pela rua. Seus olhos eram verdes como as águas do mar, seus cabelos eram castanhos, bem grandes e sempre se via nelas várias flores. Ela sempre vestia uma blusa azul e tinha um sorriso belo, onde se podia notar, levemente, um coração infantil. Sempre que passava pela rua e via Cor-de-Lágrimas brincando, ela parava e lhe dava uma flor ou pedaço de chocolate, e quando não tinha nada, dava um sorriso e brincava com ele de esconde-esconde.

 

                        Certa noite, Cor-de-Lágrimas viu Pérola cantar em um bar que ficava perto de sua casa. Sua voz não era das melhores, mas todos, no bar, aplaudiram quando ela acabou de cantar. Cor-de-Lágrimas ouvia, do lado de fora, a amiga, e via em seus olhos um certo toque de dor misturado com um sorriso infantil.

 

                        Na manhã seguinte, ele a encontrou na rua. Ela parecia abatida e tinha lágrimas nos olhos. Quando Cor-de-Lágrimas perguntou a ela por quê estava chorando, ela respondeu apenas que suas lágrimas desciam de seus olhos quando ficava triste. Então apanhou uma bela flor que estava em seu cabelo, deu ao menino, e disse:

 

 - Tome uma flor para você nunca mais esquecer do amor. Você lembrará sempre de mim, não é?

 

                        Cor-de-Lágrimas fez não com a cabeça. Ela sorriu para ele e foi embora.

 

                        Um dia, Cor-de-Lágrimas ouviu falar que uma moça havia se afogado no lago da cidade e começou a notar que sua amiga nunca mais passara pela rua. Então, lhe disseram que a tal moça era Pérola.

 

                        Muitos dias depois, quando tinha tempo, Cor-de-Lágrimas ia até o lago. Sentado na margem, ele ficava contemplando a beleza do lago, e quando às vezes adormecia, uma música suave nascia de dentro do lago, fazendo com que ele despertasse, e em volta do lago brotavam flores e os pássaros vinham e pousavam na margem.

 

 

OUTRA VEZ NOS CAMPOS DE MORANGO.

                           Cor-de-Lágrimas andava, naquele dia, pelos campos de morango imaginários. Os pássaros cantavam e voavam bem alto. Ele andava quando viu alguém se aproximando. Era uma menina de cabelos dourados e com ela vinha um coelho, que usava um colete e um relógio. A menina chegou perto de Cor-de-Lágrimas e perguntou:

 

 - Como você se chama?

 

 - Cor-de-Lágrimas. Disse Cor-de-Lágrimas.

 

 - Eu me chamo Alice. Este é o Coelho Falante. Disse a menina.

 

 - Como vai companheiro. Falou o coelho.

 

 - Vamos brincar! Disse Alice para Cor-de-Lágrimas. Nós nos escondemos e você tente nos achar. Certo?! ! ! !

 

 - Certo! Disse Cor-de-Lágrimas fechando os olhos e começou a contar até 10, enquanto Alice e o coelho se escondiam. Quando ele acabou de contar saiu a procura de Alice e de seu companheiro. Procurou entre as árvores, procurou no lago, mas não os encontrou. Quando passava perto de algumas flores, ouviu um riso. Foi andando devagarinho e quando chegou perto de uma pedra exclamou:

 

 - Encontrei vocês!!!!

 

 - Sua boba! Eu disse para você não rir alto. Disse o coelho zangado.

 

 - E agora, do que vamos brincar? Perguntou Cor-de-Lágrimas.

 

                        Alice tirou um grande lençol azul do bolso de seu vestido e disse para o menino:

 

 - Entre! Vamos, entre! Gritou Alice com um sorriso.

 

 -      Entrar para onde? Perguntou Cor-de-Lágrimas assustado.

 

 - Entrar para onde? Entrar no lençol! Disse Alice.

 

                        Cor-de-Lágrimas entrou no lençol e começou a cair por dentro de um túnel. Muitas cores ele viu enquanto caia. Logo chegou em um campo enorme, e viu uma casinha. Alice e o coelho chegaram logo em seguida.

 

 - Vamos até a casa da infância. Disse Alice.

 

 - O que tem lá? Perguntou Cor-de-Lágrimas.

 

 - Ora, vamos até lá e você saberá. Disse o coelho.

 

                        Os três deram três passos e logo estavam na frente da casinha. Abriram a portinha e entraram. A casa estava em festa: palhaços pulavam de um lado para o outro, os quatro músicos tocavam encima de um grande bolo (o burro tocava flauta, o cachorro tocava tambor e o gato e o galo improvisavam no vocal), Branca de neve e os sete anões estavam lá também, como também o saci, a onça pintada e o boto. Também estavam presentes a banda psicodélica, a bela adormecida e o pessoal da Vila Césamo.

 

                        Cor-de-Lágrimas começou a se divertir, pulando e correndo pelo jardim. Sim, pois havia um grande jardim dentro da casinha e era bem grande. Pássaros cantavam, crianças sorriam, Alice e a lebre telhuda jogavam xadrez e todos se divertiam. Então, a banda psicodélica começou a tocar uma música sonhadora:

 

CAMPOS DE MORANGO PARA SEMPRE

 

 

Deixe-me levar você para baixo

Porque estou indo aos campos de morango

Nada é real

E não há nada para se preocupar...

Campos de Morango para Sempre

 

Viver é fácil com os olhos fechados

Confundindo tudo o que você vê

É difícil ser alguém

Mas tudo funciona fora

Isto não significa muito para mim

 

Deixe-me levar você para baixo

Porque estou indo aos campos de morango

Nada é real

E não há nada para se preocupar

Campos de Morango para Sempre...

 

Eu acho que ninguém está em minha árvore

Eu quero dizer que poderia estar no alto ou em baixo

Isto é o que você não pode saber da canção

Mas está tudo certo

Eu acho que isto não é tão mal.

 

Deixe-me levar você para baixo

Porque estou indo aos campos de morango

Nada é real

E não há nada para se preocupar

Campos de Morango para Sempre...

 

Sempre, e não algumas vezes,

Eu acho que sou eu

Mas você sabe que eu sei

Quando isto é um sonho

Eu acho que sei o significado de um “sim”

Mas tudo está errado

Isto é, eu acho que não concordo

 

Deixe-me levar você para baixo

Porque estou indo aos campos de morango

Nada é real

E não há nada para se preocupar

 

Campos de Morango para Sempre...

 

Campos de Morango para Sempre...

 

Campos de Morango para Sempre...[4]

 

 

                        Quando a canção acabou, todos saíram da casa da infância. Mas ninguém mais era criança e cada qual seguiu seu caminho. Cada um caminhou sozinho pela longa estrada da vida.

  

 

OUTRA VEZ UM NATAL.

 

                            Cor-de-Lágrimas decidiu andar pela rua, cansado das muitas recordações da infância. Caminhava silencioso, maldizendo o mundo dos homens que o tinham lançado naquele abismo. Ele agora era um homem, com seus vícios, suas mulheres e seu carro. O mundo da infância jazia na sua frente. Brincadeiras, jogos e sonhos estavam mortos. Começou a chover e ele tentou correr, mas não conseguiu. Nisso, alguém levemente tocou em seus ombros.

 

 - Michelle! Exclamou Cor-de-Lágrimas.

 

 - Ainda se lembra de mim? Faz tanto tempo. Disse a moça.

 

 - Para onde você está indo? Perguntou Cor-de-Lágrimas.

 

 - Estou andando sem rumo. E você? Disse Michelle.

 

 - Há Michelle! Estou andando pela rua, pensando nos dias de minha infância. Lembra? Como nós éramos felizes naqueles dias!

 

 - O passado não pode voltar mais. Mas por quê você não transforma-se em criança outra vez. Disse a moça.

 

 - Mas como? Como posso voltar a um tempo que não existe mais? Disse Cor-de-Lágrimas.

 

 - É preciso renascer, é preciso renovar. Veja, a vida não se estagna. Ela está sempre em movimento. Ela é um eterno renascer. É preciso renascer para Deus. Observe, o mundo dos homens parece estar sempre em movimento, mas ele está realmente estagnado. A natureza, porém, foi sempre a mesma. Entretanto, ela está num eterno renascer. Aos nossos olhos ela parece parada e sem vida. Mas, na verdade, é o mundo dos homens que está parado e sem vida. Disse a Michelle.

 

                        Os dois foram andando até uma praça e sentaram-se num banco. Cor-de-Lágrimas escutava com atenção as palavras da moça.

 

 - Escute! Disse ela.

 

 - O quê? Disse Cor-de-Lágrimas.

 

 - Escute o silêncio. Ninguém pode renascer se não conhece o silêncio. Eu não dou mais meus segredos e minhas lágrimas para os homens. Eu aprendi a escutar o silêncio.

 

                        Michelle se aproximou de Cor-de-Lágrimas e olhou profundamente em seus olhos. Então, ela o beijou. Mas não um beijo de mulher, de prazer. Era um beijo de mãe, de irmã, de amor, um beijo do espírito.

 

 - A vida é um longo caminho, irmão. Disse Michelle.

 

                        Quando Cor-de-Lágrimas chegou em casa naquela noite, ajoelhou-se e rezou a oração eterna. Rezou não como homem, mas como criança, e seu coração se abriu para receber o paraíso que não tem fim, fora do tempo.

 

                        Na manhã seguinte, ele levantou cedo. Apanhou seu violão, um livro de poemas de um poeta antigo, o Livro da Vida e da Verdade e saiu para nunca mais voltar ao mundo dos homens, cantando uma canção que tinha feito quando o sol nasceu:

 

UMA PÁGINA DE MINHA VIDA.

 

O vento sopra uma triste canção

E eu estou tão sozinho.

Meus olhos estão cansados

De tanto ver.

Andei bêbado pelas ruas,

Caí nas mãos de mulheres

Que nunca amei.

Mas agora me levanto

E começo a caminhar.

 

Sobre um amor frágil

Tenho arrastado minha

Existência,

Confundindo os caminhos.

Sim, estou velho e em

Meus olhos a dor se confunde

Com o amor.

Mas talvez não

Tenha sido em vão,

Pois agora quero ser jovem

E caminhar outra vez.

 

Sim, conheço as lágrimas

Das mulheres da rua,

Conheço a dor de uma

Existência ferida.

E o vagabundo que passa

Pela rua, anônimo em suas

Lágrimas, também conheço.

Conheço o poeta que ébrio

Passeia pelos campos

E ele quer encontrar

Um caminho.

Conheço as garotas em seus

Carros favoritos

E em seus olhos

Há muitas lágrimas.

Agora todos sabem

Que o tempo aniquila

As ilusões.

 

E eu ouvi bem o professor Tonto falar.

Ouvi suas hipócritas

Palavras de liberdade que

Levam a escravidão.

Eu o vi arrastando as crianças,

Oprimindo-as, com suas

Mentiras.

 

Mas ele não acreditou quando

Lhe disseram que elas

Um dia iam se revoltar.

E agora todas as crianças

Estão assustadas e ninguém

Mais quer ir à escola.

 

E no mundo da infância

Tenho encontrado e juntado

Todas as minhas lágrimas.

E às tenho bem seguras

Em minha mão.

E elas refletem a miséria

De cada irmão e irmã que

conheci dentro de mim.

E eles têm me falado

De uma visão de amor.

E agora ando ébrio, com

Eles em meu coração, mas

Tenho controle sobre meus

Pés.

Sim, eu conheço um caminho,

Um caminho verdadeiro

Um caminho de luz

Que só os santos

e poetas conhecem e por

isso são perseguidos.

E apesar de eu ser

Um grande mentiroso

A verdade que está dentro

Dele é maior, pois, a verdade

É mais forte que

A mentira.

E este caminho traz

ntro de si uma luz pura

E de renascimento.

E agora caminho sozinho

Mas tenho a certeza de

Estar com os olhos bem

Abertos.


 

EDITORA OGMIOS (SEACULUM OBSCURUM)/ GRAVADORA ARTE DEGENERADA

1984-1993

2002-2011

 

                                    A Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) – Gravadora Arte Degenerada foi um projeto de arte experimental, criado por Marco Alexandre da Costa Rosário, envolvendo poesia, música e pintura, o qual teve sua existência entre os anos de 1984 e 1993, e foi novamente iniciado a partir de 2002. Seu primeiro nome foi Editora Morangos & Uvas (Seaculum Obscurum), denominação esta que foi usada até 1986. Este nome foi inspirado pelo quadro tríptico O Jardim das Delícias, de Hieronymus Bosch, e pelo filme Morangos Silvestres (SMULTRONSTÄLLET), do diretor sueco Ingmar Bergman. Ogmios é uma antiga divindade celta, conhecida também como o Velho Calvo. Segunda a lenda, de sua língua saiam fios de ouro que enlaçavam as orelhas das pessoas e elas eram forçadas a ouvi-lo. A palavra latina Saeculum foi alterada: a letra e troca de lugar com a letra a, formando a palavra Sea (mar em inglês) culum, ou seja Seaculum Obscurum, ou o mar da obscuridade secular, que é o modo como Marco Alexandre vê sua época. Todos os livros da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) pertencem a série BLITZBUCH (livro-relâmpago). Esta junção de duas palavras alemãs é uma sátira à Blitzkrieg dos nazistas. Juntamente com a Editora Ogmios (Seaculum Obscurum), em 1986 Marco Alexandre criou a Gravadora Arte Degenerada, uma experiência alternativa na área da música. A Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) teve bastante influência da música, literatura, pintura e cinema de vários países. Seus dois princípios máximos eram: a arte não se vende e a arte não tem fronteiras.

 

                                    De todas as obras realizadas pela Editora Ogmios (Seaculum Obscurum), as duas mais importantes foram os livros Iluminuras e Guirlanda de Flores Sangrentas. Estas duas obras foram completadas em 2002, pois ficaram inacabadas nos anos em que surgiram (1986 e 1987). Na verdade, alguns poucos poemas e todas as pinturas foram elaborados no ano de 2002, com o objetivo de completar estas duas obras. Depois dos últimos poemas escritos por Marco Alexandre (em 1993), a Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) silenciou por muitos anos, embora alguns pedaços de poemas isolados tenham sido feitos no transcorrer dos anos. Em 1994, Marco Alexandre fez uma espécie de coletânea com as músicas que ele gravou em fitas cassete (até hoje conservadas) entre os anos de 1981 e 1988. Em 2001, Marco Alexandre conheceu, através da Internet, o músico americano Tom Rapp, líder do lendário grupo Pearls Before Swine (1967-1971) e uma das maiores influências da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum): Marco Alexandre conheceu o trabalho deste grupo em 1983, através do Lp One Nation Underground, lançado pela ESP-DISK em 1967. Tom enviou para Marco Alexandre uma cópia de seu último Cd: A Journal of the Plague Year (1999). Este encontro estimulou Marco Alexandre a recomeçar seus trabalhos na Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) no ano de 2002: os textos dos livros originais foram digitados em computador; as músicas foram transferidas para CDs (a partir de março de 2005), poemas foram reconstruídos, livros inacabados foram completados, etc. O primeiro livro da nova fase foi a segunda edição do livro As Flores (de 1985), feita em fevereiro de 2002, a qual foi enviada para Tom Rapp, em Port Charlotte, Flórida, Estados Unidos da América. Tom disse o seguinte sobre o livro As Flores: “I got the book and it’s GREAT”. Tom Rapp iria recitar o poema Lírio (do livro As Flores) em seu show, no festival Terrastock V, realizado em outubro de 2002 nos Estados Unidos da América. Porém, por problemas de tempo de apresentação não foi possível realizar tal projeto. Entretanto, ele compôs uma música para o poema Lírio, que foi enviada para Marco Alexandre em novembro de 2002. Em agosto de 2002, Marco Alexandre enviou a segunda edição do livro Invocações (de 1991) para Meredith Monk e Patti Smith, em Nova Iorque, Estado de Nova Iorque, Estados Unidos da América. Meredith Monk disse sobre o livro Invocações: “I want to tell you that I did receive the book and the poems. Thank so much... I am very touched and will cherish them”. Patti Smith jamais se pronunciou a respeito do livro. Marco Alexandre voltou a fazer pinturas em 18 de setembro de 2002, quinze anos depois do último trabalho nesta área. Ele fez várias pinturas para os livros O Tecelão de Paisagens, Iluminuras e Guirlanda de Flores Sangrentas. Estes três livros são conhecidos como livros-música. Marco Alexandre também começou a elaborar novos livros de pintura (Surrealística III e IV) e um novo livro-música começou a ser elaborado em janeiro de 2003 (Winona e as Cadeiras de Rodas) e foi concluído em julho de 2005. Outro livro-música, New York – Paris, começou a ser elaborado em junho de 2004 e foi concluído em abril de 2005. Um outro grande poema deveria ter sido escrito ainda em 2003, sendo seu título  Cartas às Américas, e talvez tivesse a colaboração de Meredith Monk e de Tom Rapp. Pelo menos eles mostraram interesse em participar. Porém, o projeto não foi sequer iniciado. A obra completa da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum), ou o que restou dela, tem o seguinte título: Veio do Pó e Virou Resto HumanoEditora Ogmios – 1984 - 2011 (o título foi tirado de um verso do livro Invocações, de 1991). Exceto os poemas que foram reconstruídos e os livros que foram completados (com poemas e pinturas) em 2002, as novas edições dos trabalhos da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) têm os mesmos poemas, músicas, pinturas e desenhos que foram feitos entre os anos de 1984 e 1993. Marco Alexandre jamais revisou qualquer trabalho que fez na poesia, na música e na pintura. Tudo foi composto, escrito, pintado e tocado (gravado) em estado bruto e produzido sem qualquer reparo.

 

                                    Marco Alexandre da Costa Rosário nasceu na cidade de Belém, Estado do Pará, Brasil, em 7 de fevereiro de 1966. Atualmente, Marco Alexandre vive, desde fevereiro de 2003, na cidade de Santarém, Estado do Pará, no meio da Amazônia Brasileira. Ele sempre foi um homem pobre e sempre teve muitas dificuldades para realizar os trabalhos da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum). Entretanto, a partir de 2002, os estranhos livros que ele escreveu começaram a circular pelo mundo e, em 2005, um site foi criado na Internet para comemorar os 21 anos da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) e da Gravadora Arte Degenerada.

 

                                    Estes são os trabalhos feitos por Marco Alexandre Rosário na Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) – Gravadora Arte Degenerada:

 

- Poemas - (poesia/desenhos) - 1984.

 

- Um Conto Sobre a Vida de São Francisco de Assis - (conto/pintura - obra desaparecida) - 1985.

 

- Uns Dias na Infância  - (conto infantil/desenhos) – 1985.

 

- As Cores  - (poesia/pintura) – 1985.

 

- As Flores  - (poesia/pintura) – 1985.

 

-.O Tecelão de Paisagens  - (poesia/música/pintura) – março/1986.

 

- Sete Pérolas para Hollandri - (poesia) – junho/1986.

 

- Surrealística I - (pintura – Obra desaparecida) – 1986.

 

- Iluminuras - As Iluminações que Rimbaud não Iluminou no Jardim das Bonecas Manchadas de Sangue - (poesia/música/pintura) – outubro/1986.

 

- Guirlanda de Flores Sangrentas  - (poesia/música/pintura) – fevereiro/1987.

 

- Surrealística II  - (pintura – obra desaparecida) – 1987.

 

- América Latrina & o Gigolô Americano – (Poesia) – 1988.

 

- Invocações - (Poesia) – 1991.

 

- Amálgama – Uma Coleção de Obscenidades - (Poesia) – 1981-1992. Coletânea com vários poemas.

 

- O Último Círculo de Pedra – (poesia/música/pintura) – (coletânea, incluindo os melhores projetos musicais feitos entre 1981 e 1988) - 1994. (estão inseridas algumas músicas feitas em 2002 e 2003).

 

- Surrealística III – (Pintura) – setembro/2002.

 

- Surrealística IV – (Pintura) – setembro/2002.

 

- Canções para Marina - (poesia/música/pintura) – setembro/2003.

 

- Winona e as Cadeiras de Rodas – Compacto - (poesia/música) – outubro/2003.

 

- Winona e as Cadeiras de rodas – álbum - (poesia/música/pintura) – janeirol/2003 – julho/2005.

 

- New York–Paris – (poesia/música/pintura) – junho/2004 - abril/2005.

 

OBS: Texto escrito em 2002 (com acréscimos em 2005, 2008 e 2011).

  

 

EDITORA MORANGOS & UVAS

(SEACULUM OBSCURUM)

 

EDITORA OGMIOS

(SEACULUM OBSCURUM)

 

                       GRAVADORA ARTE DEGENERADA

 

SÉRIE BLITZBUCH

 

(1984 – 1993)

 

(2002-2011)

 

 

UNS DIAS NA INFÂNCIA

 

1ª EDIÇÃO: 1985

1 exemplar.

(Marco Alexandre. Belém, Pará, Brasil)

 

2ª EDIÇÃO: 2005

1 exemplar.

(Marco Alexandre. Belém, Pará, Brasil)

 

 

“Tudo o que é esquecido

permanece em sonhos obscuros do passado...

ameaçando sempre retornar.”

(Velvet Goldmine)

 

 

 

Editora Ogmios (Seaculum Obscurum)/Gravadora Arte Degenerada:

 

Website: www.seaculumobscurum.com

 

e-mail: editoraogmios@yahoo.com.br



[1] Chanterfields eram os trovadores dos quadrados que narravam os feitos heróicos de seus reis.

[2] El Rey. Composição de Gerson Conrad e João Ricardo. Secos & Molhados, 1973.

[3] All Together Now. Composição de John Lennon e Paul McCartney. The Beatles, 1968.

[4] Strawberry Fields Forever. Composição de John Lennon e Paul McCartney. The Beatles, 1967.

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