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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

 DOIS LIVROS DE CONTOS, OS LIVROS “AS FLORES” E “AS CORES” E O SURGIMENTO DA EDITORA MORANGOS E UVAS (1985).

 

Em 1985, eu ingressei no Curso de Direito da Universidade Federal do Pará. Após o livro “Poemas“, eu resolvi escrever um conto, cujo o título foi “Um conto sobre a vida de São Francisco de Assis” (1985) (o título original não era exatamente este, mas o livro contava uma estória sobre a infância de São Francisco). Este livro já tinha algumas pinturas, uma delas muito bela. Infelizmente, este livro foi perdido. Após este livro, eu escrevi outro livro de contos: “Uns Dias na Infância” (1985), que também tinha pinturas e desenhos. Este conto trata de várias estórias da minha infância, entre elas o meu encontro com a obra dos Beatles. Neste livro podem ser vistos submarinos de várias cores, lojas de brinquedos, dançarinas, influências dos livros “Alice no País das Maravilhas” e “Alice no País do Espelho” (de Lewis Carroll), e uma curiosa cena da passagem da infância para a vida adulta. Este livro termina com um poema inspirado na música My Back Pages, de Bob Dylan. Esses dois livros foram feitos no primeiro semestre de 1985. No segundo semestre daquele ano, eu escrevi, numa única noite, os livros “As Flores” e “As Cores”. O livro “As Flores” têm várias pinturas e belos poemas, como é o caso dos poemas “Lírio” e “Gerânio”. Ambos foram construídos com frases compostas de palavras de idiomas variados (alemão, italiano, francês, inglês, português). O livro “As Cores” têm poemas mais longos e as palavras estão dispostas de forma variada. Estes dois livros têm bastante influência do romantismo e do surrealismo. Há pinturas muito bonitas também, como é o caso das pinturas “Lírio” e “Violeta”. Minha cor preferida sempre foi o verde. Quando eu era criança eu confundia o azul com o verde. Há referências sobre este fato em vários poemas que eu escrevi.

 

Livro "Uns Dias na Infância", de 1985 - Terceiro Livro da Editora Ogmios (Editora Morangos & Uvas)

Eu jamais consegui fazer a capa para o livro “Poemas” (1984). Já para os livros seguintes eu fiz. Para os livros “Um conto sobre a vida de São Francisco de Assis” (1985) e “Uns Dias na Infância” (1985) eu fiz capas feitas com cartolina. Já para os livros “As Flores” (1985) e “As Cores” (1985), as capas foram feitas com cartolina, envolvidas em feltro (de cor alaranjada) e com os nomes costurados com lã. Todos esses livros eram feitos de forma rústica e, evidentemente, só podiam ter uma edição. Por esse motivo eu chamava estes livros de “Livros Socialistas”, pois já que teriam apenas uma única edição, não poderiam pertencer a ninguém. Surgia aí a minha idéia de que a arte não pode ser vendida. Eu acreditava nessas coisas. Eu tinha conhecimento do que havia acontecido em Haight-Hashbury (1965-1967), as ruas de São Francisco, na Califórnia, aonde o movimento hippie teve o seu início. Eu vi várias vezes o filme do Festival de Woodstock (1969), como também o filme do Festival de Monterey (1967), e eu fiquei maravilhado com as pessoas que tinham participado daqueles festivais de música. Portanto, eu acreditava que a arte não poderia ser vendida e que a arte tem um caráter de transformação social imenso. Hoje, eu não acredito mais nisso. Por outro lado, eu tinha conhecimento sobre as críticas que algumas pessoas faziam a respeito do Flower Power (Frank Zappa, álbum We’re Only in it for the Money – “Nós só Estamos Nessa pela Grana”). Eu sempre admirei Frank Zappa pela coerência que ele sempre teve.

 

Livro "As Flores", de 1985 - Quarto Livro da Editora Ogmios (Editora Morangos & Uvas)

Juntamente com as capas, surgiu a necessidade de dar um nome para os trabalhos artísticos que eu estava fazendo e produzindo. A primeira denominação deste projeto foi “Editora Morangos e Uvas”, que foi utilizada, provavelmente, até o mês agosto de 1986. A denominação “Morangos e Uvas” foi uma influência direta do filme “Morangos Silvestres” (Smultronstället), do cineasta sueco Ingmar Bergman, e do tríptico “O Jardim das Delícias” de Hieronymus Bosch. Logo após eu criar a denominação “Editora Morangos e Uvas”, eu acrescentei as palavras latinas “Seaculum Obscurum”. Na verdade, as palavras latinas eram “Saeculum Obscurum”, mas eu fiz uma pequena alteração. A palavra latina Saeculum foi alterada: a letra e muda de lugar com a letra a, formando a palavra “Sea” (mar, em inglês), formando desta forma as palavras “Seaculum Obscurum”, ou “o mar da obscuridade secular”. Esta era a idéia que eu queria dar: um mar obscuro e secular... a época em que eu nasci, com bombas atômicas, guerras insanas, superpopulação, riquezas, misérias, carros, aviões, naves espaciais, rodovias enormes, motéis e idéias absurdas. Assim, surgiu a EDITORA MORANGOS E UVAS (SEACULUM OBSCURUM). Todos os livros escritos até então (e os que foram escritos depois) pertenciam a série “BLITZBUCH” (livro relâmpago, em alemão). Esta junção de duas palavras alemãs é uma sátira à Blitzkrieg (guerra relâmpago, em alemão) dos nazistas. Eu não lembro da onde eu tirava estas idéias. Mas não foi por acaso que todas essas idéias estavam, de certa forma, interligadas a Bíblia. Após 1982, eu passei a ler muito a Bíblia e a ter um contato cada vez maior com a figura de Jesus Cristo. Com todo o respeito às igrejas católica e protestante, eu não gosto de freqüentar igrejas. Porém, apesar disso, eu sempre fui uma pessoa bastante religiosa. Toda pessoa que se envolve com música e poesia é, geralmente, uma pessoa religiosa. Uma das idéias que me fascinava era a questão sobre a eternidade e o tempo. Jesus Cristo disse: “não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. O que Jesus quis nos dizer é que nós devemos guardar nosso tesouro (nosso espírito e nossas idéias) na eternidade, ainda quando estamos na terra (no tempo). Se nós guardarmos nosso tesouro na terra (no tempo), nós perderemos tudo o que temos e até o que pensávamos ter, pois tudo o que está no tempo não é verdadeiro, não tem existência real. Assim, um dia a bela mulher envelhecerá, o ouro será roubado e derretido, os parentes e amigos morrerão, e a casa, grande e bela, ruirá. Portanto, nosso tesouro deve ser guardado na eternidade, aonde o tempo não existe. A eternidade é a verdadeira realidade; o tempo é a falsa realidade. Então, o nosso tempo, cheio de misérias, riquezas e ruínas, cheio de espantosas ambições, nada mais é do que a negação da eternidade, ou seja, da verdadeira realidade. O tempo atual seria, então, o mar da obscuridade secular, a falsa realidade aonde as pessoas se afogam em suas ambições e loucuras. Este é o significado da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum).

 

Os Livros "As Flores" e "As Cores", ambos de 1985 (Editora Morangos & Uvas)

Portanto, já contando com cinco livros, teve início, em 1985, o projeto Editora Morangos e Uvas (Seaculum Obscurum), série Blitzbuch, um projeto artístico que produziria poemas e pinturas. Faltava encaixar a música neste projeto.

 

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