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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

 POEMAS - O INÍCIO DA EDITORA OGMIOS (SEACULUM OBSCURUM) - O PRIMEIRO LIVRO: “POEMAS” (1984).

 Link: (Livro "Poemas" em vídeo do YouTube):

Livro "Poemas"/1984 - Vídeo

A Editora Ogmios (Seaculum Obscurum)/ Gravadora Arte Degenerada teve início em 1984, com o livro “Poemas”. Na época, estas denominações (Editora Ogmios – Seaculum Obscurum – Gravadora Arte Degenerada) ainda não existiam.

 

Livro "Poemas", de 1984

A primeira vez que eu tentei escrever um livro foi por volta de 1975. Seriam dois livros: o primeiro seria uma autobiografia (na verdade, uma espécie de diário), e o segundo contaria a história do mundo, do começo ao fim da espécie humana no planeta. Infelizmente, após eu começar a escrever estes livros, ambos desapareceram misteriosamente de cima da mesa aonde eu os havia deixado. Em 1979 eu escrevi um pequeno poema: esta foi a minha primeira experiência com a poesia. Já em 1981, na época dos Lesos & Loucos, eu escrevi várias letras para as músicas que eu e André Sarmanho fazíamos. Em 1982 eu escrevi outro poema. Era um poema sobre os homossexuais da Praça da República, em Belém: “O Sonho de João”. Este poema está inserido no livro “Amálgama – Uma Coleção de Obscenidades”. Trata-se de uma reconstituição do poema original.

 

"Poemas" - Original de 1984 e versão digitalizada de 2000


William Blake (1757/1827)

Eu não lembro como foi que eu comecei a escrever e a produzir o livro “Poemas”, mas lembro que este fato teve a influência do grupo Pearls Before Swine, da gravadora deles a (ESP-DISK) e do poeta inglês William Blake (1757-1827). Foi nessa época que eu conheci o trabalho de Blake e fiquei fascinado pela obra que ele deixou. Também devo citar a influência de Hermann Hesse e de vários poetas e escritores brasileiros. Inicialmente, o título do livro seria “Amálgama”. Porém, eu mudei de idéia. Os poemas foram escritos à mão, em estilo gótico (as letras eram desenhadas). A idéia que eu tinha era escrever um livro que não tivesse fim. O livro jamais terminaria. Este livro abre com uma citação do Evangelho de São Mateus (inspiração direta do grupo Pearls Before Swine). Há vários poemas neste livro, a maioria com uma certa tendência para o romantismo brasileiro. Porém, já aparecem nele poemas com características surrealistas, alguns escritos com palavras de vários idiomas (grego, latim, inglês, francês, alemão, espanhol, russo e até mesmo com palavras de idiomas de tribos indígenas brasileiras). É o caso dos poemas “Mensageiro dos Portais de Vidro da Loucura”, “Refrações da Infância”, “Zácrata”, “Subterrâneo do Delírio”, “Woodstock, Haight Hashbury, (Paz e Amor)”, “Poema Circular”, “Poema para o Silêncio” e “Algumas Palavras (A Escada)”. Algumas palavras um criei (por exemplo: a palavra Zácrata) e há um poema totalmente escrito em língua espanhola. É um bom livro e já apontava, naquela época, para a direção que a Editora Ogmios iria tomar: um surrealismo nebuloso, obscuro, sombrio, com a criação e fusão de palavras e a construção de frases formadas por palavras de vários idiomas. Infelizmente, alguns poemas se perderam ao longo dos anos e tiveram que ser reconstituídos em 2002.

Pintura de William Blake

Livro de William Blake






Fotos de Haight-Ashbury, em San Francisco/Califórnia, de 1966 e 1967, aonde o Movimento Hippie começou, incluindo uma foto que registra o enterro do Movimento em dezembro de 1967. O Movimento Hippie teve uma grande influência na Editora Ogmios 



Livro "Poemas"/1984 - Partes (duas fotos)



hhh

 

   

POEMAS

 

  

MARCO ALEXANDRE

DA

COSTA  ROSÁRIO

 

 

                                                         %

%POESIA%

%

 

 

 

EDITORA MORANGOS E UVAS

(SEACULUM OBSCURUM)

 

 

*BLITZBUCH*

*1984*

 

  

Nolite Sanctum Dare

Canibus Nec Mittatis

Margaritas Ante Porcos

Ne Conculcêt Pedibus Et

Côuersi Dirumpat Vos

 

  

   

Ihr Fout Daz Beiligtum Nicht

Den Hunden Geben, Und Eure

Berlen Follt Ihr Nicht Vor Die

Gäue Merfer, Auf DaB Fie Die

Felben Nicht Zertreten mit Ihren

Jüben Und Fich Menden

Und Euch Zerreiben

 

   

Give Not That Which is

Holy Unto The Dogs,

Neither Cast ye your

Pearls Before Swine

Lest They Trample Them

Under Their Feet, And Turn

Again And RendYou

 

  

Ne Donnez Pas Les Choses

Saintes Aux Chiens Et Ne Jetez

Pas Les Perles Devant Les

Pourceaux, De Peur Quils Ne

Les Foulent Aux Pieds Et Que,

Se Tourant Contre Vous

Ils Ne Vous Déchirent

 

  

Não Deis Aos Cães

O Que é Santo, Nem

Lanceis Aos Porcos As

Vossas Pérolas, Para

Que Não Suceda Que

Eles As Calquem Aos

Pés e, Voltando-se Contra

Vós, Vos Dilacerem.

 

 

  

SUMÁRIO

  

1.    ISABELLE

 

2.    RAMZA

 

3.    ANDREA

 

4.    SILVANA

 

5. DOCE ILUSÃO

 

6.  MENSAGEIRO DOS PORTAIS DE VIDRO DA LOUCURA

 

7. REFRAÇÕES DA INFÂNCIA

 

8. ZÁCRATA

 

9. LEMBRANÇAS DE UM AMIGO

 

10. SUBTERRÂNEO DO DELÍRIO

 

11. BELA CRIANÇA

 

12. MENINO POBRE

 

13. SIR GALAHAD ENTRE AS FLORES DA PRIMAVERA

 

14. AS PÉROLAS

 

15. WOODSTOCK, HAIGHT HASHBURY, (PAZ E AMOR)

 

16. POEMA CIRCULAR

 

17. POEMA PARA O SILÊNCIO

 

18. ALGUMAS PALAVRAS (A ESCADA)

 

19. FOGO, ÁGUA, SOLO

 

20. EL CANTO DEL PÁJARO DEL TIEMPO

 

21. DO OUTRO LADO DA PORTA

 

22. RAIOS DA MANHÃ

 

23. (Fragmento de um poema não identificado)

 

 

ISABELLE

 

Na beira do mar

As palavras adormeceram

Envoltas nas ondas

 

Olhos azuis

Grandes olhos azuis

 

Bela mulher européia

Adormecida em meu corpo

 

Algodoal

Algodoal

Algodoal

Algodoal

 

*Poema reconstituído em 2002.


RAMZA

 

Finos lábios

Da doce burguesa

Que me leva em seu carro

Para minha casa

Como num sonho

De

Criança pobre

 

Orações na noite

Enquanto o carro

Segue um rumo desconhecido


*Poema reconstituído em 2002.

 

ANDRÉA

 

Os sonhos ocultos

No pátio do colégio

São agora convertidos

Em Desejos proibidos

Num quarto

 

A mulher de cabelos negros...

Quanto encanto

Escondido

No tempo noturno


*Poema reconstituído em 2002.


SILVANA


Guinnevere

Cabelos dourados

Mamilo rosa

Olhos azuis

 

Estranho encanto

Confinado

Na escuridão do cérebro

Guinnevere

 

Guinnevere

Sorriso lapidado

No vento

Guinnevere

 

 

 

*Poema reconstituído em 2002.


DOCE ILUSÃO
I

Doce Ilusão é a Vida Para

Quem Ama, Ilusão de Dor e

Angustia.

Bolas Coloridas Correm No

Coração de Antônio.

Isabela na Janela a Chorar,

Espera Antônio Que Não Quer

Chegar. 

II

 A Chuva Cai Pelo Calçadão, a se

Misturar Com as Lágrimas de

Isabela.

Antônio Caminha Vagaroso Pela Rua

Enquanto Pensa em Isabela.

Ele tem Outra No Coração.

Isabela Na Janela, Antônio Na Rua

A Olhar a Chuva Que Cai.

  

III

 Os Anos Passaram e Antônio Não

Chegou. Isabela Não Está Mais

Na Janela e a Chuva Parou.

Seu Coração se Despedaçou

Como a Gota de Orvalho Que

Vai ao Chão.

Tudo Não Passou de Ilusão.

  

IV

 

Dura é a Vida Para Quem Ama

E Duro é o Caminho a ser

Seguido. Doce Ilusão Que o

Destino Encarrega-se de

Destruir.

Dura é a Vida Para Quem

Nunca Amou.

 

 

  

MENSAGEIRO

 

DOS

 

PORTAIS

 

DE

 

VIDRO

 

DA

 

LOUCURA

 

 

 

Doce Criança Triste,

Farfalhando as Asas

Sobre a Incansável

Canção do Vento.

  

II

 

Silencioso Portal de Vidro,

Gentil Sombra Fina de

Loucura, Túnel Crepuscular

Decadente, Sepultura de Cristal.

Tristonho Cadáver em

Putrefação, a Terra

Levará Tuas Entranhas.

Cálido Seio na Escuridão,

Cravado Por Trêmulas

Mãos Envelhecidas.

No Lago do Firmamento

Melancólica Canção foi  ouvida,

Vinda de Estranhos Rostos

Entristecidos. Ninfas Brancas

Passam Encantando os

Moribundos.

  

III

 

Doce Criança Envelhecida,

Fiando Antigas Palavras

Sobre os Retalhos do

Passado.

Teus Olhos Devorando

as Entranhas da minha

Alma.

Rua Deserta,

Quem Passa Não Percebe

o Quanto Ela Envelheceu.

Mas tu, Minha Amiga,

Percebes. Percebes Que Só

Se Conhece a Felicidade

Com a Morte.

 


 

 

REFRAÇÕES DA INFÂNCIA

 

 

 

Longos Cabelos Caminham

Pelas Flores Da Janela.

Sons Coloridos Jorram de

Rostos Desconhecidos.

Paredes Cor de Rosa.

O Azul é Verde,

O Verde é Azul.

Sussurros Atrás da Porta.

Voz Sufocada, Arrogante,

Arrastada, de Alguma

Mulher, Embaçada de Dor.

Vidraças Coloridas, Verde, Azul,

Rosa, Lilás, Vermelha, Torturam-me

os ouvidos.

Jardins Perdidos,

Passeio Inacabado,

Noite Sufocante,

Barulho Agudo,

Casa Deserta,

Quarto Vazio e Escuro,

Medo da Solidão.

Alguém Saiu, Escondeu as

Chaves e Deixou-me

Oculto, emparedado Nos

Sons Alucinantes e Cores

Berrantes.

Uma Mulher Com Longos

Cabelos Arranca Um Grito

Sofredor das Paredes.

Olhos Claros, Multicores.

Rua Solitária,

Vitrais Coloridos,

Noites Abafadas,

Vozes Perdidas,

 

 Lagos Distantes,

Gritos Desesperados.

Há Sangue e Tristeza

Na Casa.

Os Anos Passaram,

Algo Ficou Perdido.

O Tempo Arrastou

as lágrimas e não

Deixou Ninguém nada Contar.

 

 

ZÁCRATA

 

 

Morta Tempestade Solitária

Se Ouve a Distância, Trazendo

Lembranças de Teu Belo

Rosto Infantil.

 

Queria eu tocar, uma última

Vez , as Mãos em teus alvos

Seios, e te Oferecer Mais Uma

Colher do Meu Sangue

 

Agora, envolto na Mortalha,

Adormeço no Seio da Ilha

de Zácrata, e Sinto a Falta

do Perfume de teus Cabelos.

 

As Ondas do Oceano

Invadem os Portões de

Ferro do Castelo da

Solidão. Ao Longe se

Ouve a Bizarra Dança

dos Garfos. Os Olhares

dos Hipogrifos torturam-me

a alma.

 

Vês, Minha Bela,

a Solidão de teu

Amado.

 

Todas as noites adormeço

Olhando da Masmorra as

Ondas do Oceano, Desejando

Teu Corpo Perto do Meu.

Tocar tuas Mãos

Seria um Alento.

Se pudesse eu sair Deste

Castelo, e Ouvir uma Vez

o Doce Alaúde, Correria

Contigo Pelos Campos de Cristal

Em Busca da Eternidade.

 

Estranha Ilha de Zácrata,

Por quê me tiraste minha

Amada!

O Estrondo da Arrogante

Dança de teus Garfos Não me Agrada.

Estou Recluso em teus Portais,

Aguardando o Crepúsculo de

Meu último Delírio, Consolando-me

Em Rebuscar no Relicário

a última Lembrança e os

Delicados Fios de Cabelo

de minha Amada.

 

  

LEMBRANÇA DE UM AMIGO

 

 

Bom foi ter te

Conhecido na Caminhada

de minha Vida.

Aqueles Belos Dias

Jamais Esquecerei, Por

Mais Que a Fina Brisa

do Tempo Leve de Mim a

Recordação do Teu Rosto.

Bom foi Ter Passado a

teu Lado Aqueles Bons

Momentos, e Sei Que Onde

Estiveres ainda te Lembras

de teu velho Amigo. Talvez

te Reste um Pouco de Amor,

no Coração, Daquela Moça

a Quem tanto Amavas.

Também no meu Ainda Resta

a Doce lembrança da minha

Bela Amada.

Mas o tempo passa,

Companheiro, Separando

Aqueles Que um Dia Tanto

Se Amaram.

Passa sem Resposta,

Deixando Apenas Uma

Triste Recordação de

um Terno e Alegre

Passado.

Sim, Aqueles Foram Belos

Dias, Cheios de Cores e

Sonhos, de Inocência e

Fantasia.

Mas tudo Passou, e tudo

o que um Dia foi Novo e

Juvenil a Ferrugem do

Tempo Corroeu, Deixando

Como Recordação Apenas

estas Tristes e Antiquadas

Palavras.

Sim, os Anos Passaram e o

Poeta Que tanto Almejava a

Liberdade Tonou-se

Escravo da Solidão e da

Saudade. Cada um segue Alheio

Seu Caminho, e Cada um

Caminha Solitário Pelas Ruas

do Passado. Os Anos Passaram

e quase nada deixaram

Além do som da tua

Bela Voz e a Lembrança

de teu Rosto. E Agora, abro

as Velhas Portas da

Saudade e Caminho, Calado,

Pelos Campos do Passado,

e uma Grande e Triste

Lágrima Brota dos meus

Olhos Quando Encontro na

Prateleira da Memória o

Teu Velho Retrato

Empoeirado.

 

 

SUBTERRÂNEO

             DO

       DELÍRIO

 

I

 

Fonte Cristalina de delírio,

Jorrando Lágrimas para

O Destino, Lamentando o

Desespero do fim do Dia.

 

 

II

 

Sobre o Banco do Jardim,

Adormecidas pelas Cinzas do

Entardecer, Estão as Portas

Do Subterrâneo do Delírio.

 

Abro-as sem Ruído Fazer;

Caminho Por suas Ruelas,

Cercado pela Escuridão.

 

 

III

 

No Grande Cemitério

A Morte e a Solidão,

de Mãos dadas, Percorrem

as Profundezas da Alma

do Enlouquecido Barqueiro

do Mar de Delírios.


IV

 

Caminho entre Sepulturas

De Antigas e Estranhas Almas.

As Portas do Grande Salão

Abrem-se Diante de meus

Olhos.

Velhas Pinturas Cobrem

as Paredes....Tudo é pó.

Detrás de uma Enorme

Cortina Surge uma Mulher.

Atravessa, Desesperada, o

Grande Salão, em Busca

da Eternidade. Mas as

Vozes Não Mentem.

- Ela Está Morta.

 

 

                   V

 

Rosto Pálido de Criança,

as Palavras Consoladoras

o Tempo Sepultou

 


 

BELA CRIANÇA

 

 

Muito Pouco Restou

de ti, Bela Criança.

Os Cabelos que antes

eram Dourados como

Ouro, agora são negros

como as frias noites

de inverno. Da tua

Fina Pele Restou uma

enrugada e feia mortalha, que a

Ninguém mais dá felicidade.

Muito Pouco Restou.

Dos teus olhos, que

Antes a todos agradavam,

Restam olhares Calados,

Cansados de tanto ver e

Chorar. Olhares que não

Agradam mais as Meninas

dos Grupos Escolares.

Muito Pouco Restou de ti, Bela

Criança. Teu coração, que antes

Fora Belo e Orgulhoso, transformou-se

em uma rocha onde as ondas

do mar Batem sem parar,

Ano Após Ano, Século após

Século.

Não sentes, Bela Criança, a

Falta de uma Mão Fina e

Delicada para Acariciar teus

Negros Cabelos?

Não te tortura, Bela Criança,

a Solidão de teus Dias?

No Passado tiveste quem

Te Amasse e que por ti

Daria a Vida. Naqueles Dias

Não deste tanta importância

Assim. Na Aurora de tua

Vida Desprezaste o Amor

Alheio.

Mas Agora, Sentada No Último

Banco do ônibus, não tens

Uma Casa para Acolher-te.

Ninguém mais quer ouvir tuas

Lamentações. Teus Belos Olhos

a ninguém mais traz alegria.

Todos cansaram do teu cinismo.

Pareces Velho e Entristecido,

com os olhos voltados para

fora do ônibus, contemplando as

tristes construções da cidade

Velha, Procurando Alguma

Moça Que faça-te Feliz Novamente.

Estais Cansada de uma vida

Sem Companhia, Cansada de

tanto Andar pelas Ruas Desta

triste Cidade. E em teu Coração

trazes uma antiga Lembrança

de Alguém que no Passado muito

Amavas. Trazes uma Bizarra

Canção Dentro do teu peito Que,

Vez por outra, Soa Clara e

Insistente, e ainda te traz

Alguns Momentos de Felicidade.

É... Muito Pouco Restou.

Daquela Bela Manhã Resplandecente

Restou uma Noite triste e

Quente.

Daquela Bela Criança Restou

Um feio e triste Velho.

Daquela Linda Primavera

Restou um duro e longo

inverno.

E hoje, quando olho-te no espelho,

Bela Criança, compreendo porque de ti

tão pouco restou.

 

 

 

MENINO POBRE

 

Menino Pobre

Andando na Solitário Rua

Sobre a Pálida Luz

dos Postes,

Deixando uma Lágrima

Em Cada Esquina.

 

Menino Pobre

na companhia de

Estranhos Homens,

Vendendo Jornal na

Triste Manhã de Domingo.

 

Sobre os Corações de Pedra

Desta Cidade,

Ele Descansa seu Rosto

Nas frias Calçadas

Do Inverno.

E quando o Natal Chega

Ele pode ver o Menino

Rico sorrindo com seu

Brinquedo.

Então, Ele Partirá Silencioso

Pela Rua da Solidão.

 

Menino Pobres

Perdidos na Multidão

Levando o Silêncio

da Madrugada

Com Lágrimas em

Seus Corações.

 

 

SIR GALAHAD

ENTRE AS

FLORES

     DA

PRIMAVERA

 

 

Sir Galahad

Entre as Flores

da Primavera

Caminha em Busca

do Santo Graal.

Somente homens

de Puro Coração

Podem Ver as

Ocultas Flores

de Deus.

 

Sir Galahad

em Busca

do Santo Graal entre

as Flores da Primavera.

 

Seus Olhos

Contemplam

o Céu Azul em Torno

de seu Coração.

 

Oh Galahad!

As Espadas

dos Homens não

Criam felicidade,

Apenas semeiam Guerra

E Tristeza.

Entrega Tua Vida

ao Salvador

e as Flores da Primavera

serão Eternas

em Teu Coração.

 

Oh Galahad!

O Senhor Está Entre

as Flores do Teu

Coração de Criança,

e os Sorrisos de Alegria

de teus Lábios

Só Encontram a Eterna Caminhada

       na Eterna magia.

 

Sir Galahd Anda

Pelas Montanhas Verdes

do Reino de Longres

Em Busca do

Santo Graal

Sorrindo para as Flores

da Primavera.

 

  

 

AS PÉROLAS

 

      O BARCO

 

Muitas Vezes

o Barco de Minha Vida

Navega Sem Rumo.

O Senhor me Conduz

Novamente a um Porto Seguro.

Por Distantes Terras

Tenho Andado,

Mas Ele Vem Sempre

e com suas mãos

Me Conduz para uma

Nova Manhã

de Sol.

Ele me deu

Pérolas de Eternidade;

Sempre as Perdi,

E Agora Peço Perdão.

No Céu Há Tesouros

Eternos.

 

WOODSTOCK, HAIGHT

HASHBURY, (PAZ E AMOR)

  

I

 

Paz, Paz, Paz, Paz,

Paix, Paix, Paix, Paix,

Pace, Pace, Pace, Pace,

Peace, Peace, Peace, Peace,

Friede, Friede, Friede, Friede,

Pacem, Pacem, Pacem, Pacem,

a Flor Vencerá o Canhão.

 

II

 

Era de Aquário

 

III

 

Amor, Amor, Amor, Amor,

Amour, Amour, Amour, Amour,

Amore, Amore, Amore, Amore,

Love, Love, Love, Love,

Liebe, Liebe, Liebe, Liebe,

Amorem, Amorem, Amorem, Amorem

a Paz e o Amor são mais

Temidas que a Guerra e o Ódio.

 

IV

 

Deixe o Sol Brilhar.

 

 


 

 

POEMA CIRCULAR

 

 


 

  

POEMA PARA O SILÊNCIO

 

  

 

 

ALGUMAS PALAVRAS

(A ESCADA)



 

FOGO, ÁGUA, SOLO

 

 

Espero   Que   tu    Decifres    minha

Música   Porque   ela    foi    feita    por

Deus,   e   a   Escute   com   o    Espírito

e   não   com   o   Ouvido.

 

Eu   Posso   Apenas   te   Mostrar   o

Caminho,   mas   não   te   Obrigarei

a   segui-lo.   Tu   és   Livre   para

Escolher.

 

É   Apenas   a   Grandeza   do   Fogo

É   Apenas   a   Grandeza   da   Água.

É   Apenas   a   Grandeza   do   Solo.

 

Espero   Que   tu   Decifres   as

Flores   porque   elas   Foram   Feitas

Pelo   Criador,  e  as  Sintas  com  o Olhar

e   não   com   as   Mãos.

 

É   Apenas   a  Criação   do   Sol.

É   Apenas   a   Criação   do   Mar.

É   Apenas   a   Criação   da   Terra.

 

Espero   Que   tu   Decifres   o

Amor   Porque   Ele   está   Dentro

de   Nós.

 

É   Apenas   a   Vontade   do   Criador

É   Apenas   o   Desejo   do   Criador.

É   Apenas   a   Criação.

 

 

                         EL CANTO DEL

                         PÁJARO DEL TIEMPO

 

 

Sobre La Colina Pasa

Uno Pájaro Del Tiempo.

De su Canto La Vida

Traduce La Eternidad.

La Gloria Está en

Todo Lugar, Ella

Tiene La Esencia

Del Creador.

 

 

 

 

DO OUTRO LADO

DA PORTA

 

 

 

Azuis Nuvens Passam

em Frente a meus Olhos,

Perdidas Dentro do Meu

Quarto. Passam em Frente

Ao Espelho, Dando Enormes

Gargalhadas Sinistras,

Possuidoras do Destino

de Algum Manicômio.

Espectros Multicores

Atravessam meus Livros,

Bloqueando o Corredor

das Portas da minha

Mente.

O Seio Branco

de uma Estranha Mulher

Encara-me, Torturando meus Sonhos.

Meus Trêmulos Dedos

Atravessam sua

Carne sem Vida, Minha

Boca Arranca-lhe

Suspiro e Agonia.

Seus Olhos Apavorantes

Penetram no Doce Odor

Vermelho das Notas

Musicais Que Jorram

das Paredes.

Estranhos Pássaros Voam

Entre as Cortinas de meu

Pesadelo, Estranhas Cortinas

Cinzentas Cheias de Medo.

Um verme Dilacera, com

Uma Espada de Lágrimas,

Metade de minhas veias.

O Que Existe do Outro

Lado da Porta? Existe um

Enorme Deserto de Areia

Azul.

Há Vozes Antigas e Bizarras,

Vozes Que a Tempestade

Leva Para as Profundezas

do Oceano. A Solidão

Descansa Num Banco

Olhando a Imensidão.

Lagos Antigos Aprisionam

Rostos Entristecidos.

Tudo isso há do Outro

Lado da Porta. Um Mar

Sobre o Deserto Agita

Suas Ondas Contra o

Firmamento.

Visões Perdidas no

Fundo de um Copo

de Vinho.

 


 

RAIOS DA MANHÃ

 

 

A Manhã já vem Raiando

E eu ainda estou Aqui.

A Cidade já está Acordando,

o Mar já está Brilhando,

o Vento Arrasta meus

Pensamentos, e o som

Ainda é o do meu Coração.

 

O Sol já está Brilhando

Para a Vida.

O Sol já está Brilhando

Para o Dia.

 

A Solidão ainda é minha Companheira.

As Lágrimas escorrem dos

meus olhos, e eu ainda estou Aqui...

Esperando Alguém Que jamais retornará,

e a Noite já vai embora,

Eu Ainda Estou Aqui.

 

 

 

(Fragmento de um poema não identificado)

 

Veio a Noite... uma Lança

Romana Atravessou seu

Coração,

e  o Dia Que era Belo

Ficou Triste.

Mas Outro Dia Nasceu

e, como as Flores da Aurora,

Ele Renasceu

e Trouxe aos Homens,

o Eterno Reino Deus.

 


EDITORA OGMIOS (SEACULUM OBSCURUM)/ GRAVADORA ARTE DEGENERADA

 1984-1993

2002/2011

 

 

                                    A Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) – Gravadora Arte Degenerada foi um projeto de arte experimental, criado por Marco Alexandre da Costa Rosário, envolvendo poesia, música e pintura, o qual teve sua existência entre os anos de 1984 e 1993, e foi novamente iniciado a partir de 2002. Seu primeiro nome foi Editora Morangos & Uvas (Seaculum Obscurum), denominação esta que foi usada até 1986. Este nome foi inspirado pelo quadro “O Jardim das Delícias”, de Hieronymus Bosch, e pelo filme “Morangos Silvestres” (SMULTRONSTÄLLET), do diretor sueco Ingmar Bergman. Ogmios é uma antiga divindade celta, conhecida também como o Velho Calvo. Segunda a lenda, de sua língua saiam fios de ouro que enlaçavam as orelhas das pessoas e elas eram forçadas a ouvi-lo. A palavra latina Saeculum foi alterada: a letra e troca de lugar com a letra a, formando a palavra Sea (mar em inglês) culum, ou seja Seaculum Obscurum, ou o mar da obscuridade secular, que é o modo como Marco Alexandre vê sua época. Todos os livros da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) pertencem a série BLITZBUCH (livro-relâmpago). Esta junção de duas palavras alemãs é uma sátira à Blitzkrieg dos nazistas. Juntamente com a Editora Ogmios (Seaculum Obscurum), em 1986 Marco Alexandre criou a Gravadora Arte Degenerada, uma experiência alternativa na área da música. A Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) teve bastante influência da música, literatura, pintura e cinema de vários países. Seus dois princípios máximos eram: a arte não se vende e a arte não tem fronteiras.

 

                                    De todas as obras realizadas pela Editora Ogmios (Seaculum Obscurum), as duas mais importantes foram os livros Iluminuras e Guirlanda de Flores Sangrentas. Estas duas obras foram completadas em 2002, pois ficaram inacabadas nos anos em que surgiram (1986 e 1987). Na verdade, alguns poucos poemas e todas as pinturas foram elaborados no ano de 2002, com o objetivo de completar estas duas obras. Depois dos últimos poemas escritos por Marco Alexandre (em 1993), a Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) silenciou por muitos anos, embora alguns pedaços de poemas isolados tenham sido feitos no transcorrer dos anos. Em 1994, Marco Alexandre fez uma espécie de coletânea com as músicas que ele gravou em fitas cassete (até hoje conservadas) entre os anos de 1981 e 1988. Em 2001, Marco Alexandre conheceu, através da Internet, o músico americano Tom Rapp, líder do lendário grupo Pearls Before Swine (1967-1971) e uma das maiores influências da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum): Marco Alexandre conheceu o trabalho deste grupo em 1983, através do Lp “One Nation Underground”, lançado pela ESP-DISK em 1967. Tom enviou para Marco Alexandre uma cópia de seu último Cd: A Journal of the Plague Year (1999). Este encontro estimulou Marco Alexandre a recomeçar seus trabalhos na Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) no ano de 2002: os textos dos livros originais foram digitados em computador; as músicas foram transferidas para CDs (a partir de março de 2005), poemas foram reconstruídos, livros inacabados foram completados, etc. O primeiro livro da nova fase foi a segunda edição do livro As Flores (de 1985), feita em fevereiro de 2002, a qual foi enviada para Tom Rapp, em Port Charlotte, Flórida, Estados Unidos da América. Tom disse o seguinte sobre o livro As Flores: “I got the book and it’s GREAT”. Tom Rapp iria recitar o poema “Lírio” (do livro As Flores) em seu show, no festival Terrastock V, realizado em outubro de 2002 nos Estados Unidos da América. Porém, por problemas de tempo de apresentação não foi possível realizar tal projeto. Entretanto, ele compôs uma música para o poema “Lírio”, que foi enviada para Marco Alexandre em novembro de 2002. Em agosto de 2002, Marco Alexandre enviou a segunda edição do livro Invocações (de 1991) para Meredith Monk e Patti Smith, em Nova Iorque, Estado de Nova Iorque, Estados Unidos da América. Meredith Monk disse sobre o livro Invocações: “I want to tell you that I did receive the book and the poems. Thank so much... I am very touched and will cherish them. Patti Smith jamais se pronunciou a respeito do livro. Marco Alexandre voltou a fazer pinturas em 18 de setembro de 2002, quinze anos depois do último trabalho nesta área. Ele fez várias pinturas para os livros O Tecelão de Paisagens, Iluminuras e Guirlanda de Flores Sangrentas. Estes três livros são conhecidos como livros-música. Marco Alexandre também começou a elaborar novos livros de pintura (Surrealística III e IV) e um novo livro-música começou a ser elaborado em janeiro de 2003 (Winona e as Cadeiras de Rodas) e foi concluído em julho de 2005. Outro livro-música, New York – Paris, começou a ser elaborado em junho de 2004 e foi concluído em abril de 2005. Um outro grande poema deveria ter sido escrito ainda em 2003, sendo seu título  Cartas às Américas, e talvez tivesse a colaboração de Meredith Monk e de Tom Rapp. Pelo menos eles mostraram interesse em participar. Porém, o projeto não foi sequer iniciado. A obra completa da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum), ou o que restou dela, tem o seguinte título: Veio do Pó e Virou Resto HumanoEditora Ogmios – 1984 - 2011 (o título foi tirado de um verso do livro Invocações, de 1991). Exceto os poemas que foram reconstruídos e os livros que foram completados (com poemas e pinturas) em 2002, as novas edições dos trabalhos da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) têm os mesmos poemas, músicas, pinturas e desenhos que foram feitos entre os anos de 1984 e 1993. Marco Alexandre jamais revisou qualquer trabalho que fez na poesia, na música e na pintura. Tudo foi composto, escrito, pintado e tocado (gravado) em estado bruto e produzido sem qualquer reparo.

 

                                    Marco Alexandre da Costa Rosário nasceu na cidade de Belém, Estado do Pará, Brasil, em 7 de fevereiro de 1966. Atualmente, Marco Alexandre vive, desde fevereiro de 2003, na cidade de Santarém, Estado do Pará, no meio da Amazônia Brasileira. Ele sempre foi um homem pobre e sempre teve muita dificuldade para realizar os trabalhos da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum). Entretanto, a partir de 2002, os estranhos livros que ele escreveu começaram a circular pelo mundo e um site foi criado na Internet para comemorar os 21 anos da Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) e da Gravadora Arte Degenerada.

 

                                    Estes são os trabalhos feitos por Marco Alexandre Rosário na Editora Ogmios (Seaculum Obscurum) – Gravadora Arte Degenerada:

 

- Poemas - (poesia/desenhos) - 1984.

 - Um Conto Sobre a Vida de São Francisco de Assis - (conto/pintura - obra desaparecida) - 1985.

 - Uns Dias na Infância  - (conto infantil/desenhos) – 1985.

 - As Cores  - (poesia/pintura) – 1985.

 - As Flores  - (poesia/pintura) – 1985.

 -.O Tecelão de Paisagens  - (poesia/música/pintura) – março/1986.

 - Sete Pérolas para Hollandri - (poesia) – junho/1986.

 - Surrealística I - (pintura – Obra desaparecida) – 1986.

 - Iluminuras - As Iluminações que Rimbaud não Iluminou no Jardim das Bonecas Manchadas de Sangue - (poesia/música/pintura) – outubro/1986.

 - Guirlanda de Flores Sangrentas  - (poesia/música/pintura) – fevereiro/1987.

 - Surrealística II  - (pintura – obra desaparecida) – 1987.

 - América Latrina & o Gigolô Americano – (Poesia) – 1988.

 - Invocações - (Poesia) – 1991.

 - Amálgama – Uma Coleção de Obscenidades - (Poesia) – 1981-1992. Coletânea com vários poemas.

 - O Último Círculo de Pedra – (poesia/música/pintura) – (coletânea, incluindo os melhores projetos musicais feitos entre 1981 e 1988) - 1994. (estão inseridas algumas músicas feitas em 2002 e 2003).

 - Surrealística III – (Pintura) – setembro/2002.

 - Surrealística IV – (Pintura) – setembro/2002.

 - Canções para Marina - (poesia/música/pintura) – setembro/2003.

 - Winona e as Cadeiras de Rodas – Compacto - (poesia/música) – outubro/2003.

 - Winona e as Cadeiras de rodas – álbum - (poesia/música/pintura) – janeirol/2003 – julho/2005.

 - New York–Paris – (poesia/música/pintura) – junho/2004 - abril/2005.

 OBS: Texto escrito em 2002 (com acréscimos em 2005, 2008 e 2011).

 

EDITORA MORANGOS & UVAS

(SEACULUM OBSCURUM)

 

EDITORA OGMIOS

(SEACULUM OBSCURUM)

 

                       GRAVADORA ARTE DEGENERADA

 

SÉRIE BLITZBUCH

 

(1984 – 1993)

 

(2002-2011)

 

 

POEMAS

 

1ª EDIÇÃO: 1984

1 exemplar.

(Marco Alexandre. Belém, Pará, Brasil)

 

2ª EDIÇÃO: 2002

1 exemplar.

(Marco Alexandre. Belém, Pará, Brasil)

 

 

“Tudo o que é esquecido

permanece em sonhos obscuros do passado...

ameaçando sempre retornar.”

(Velvet Goldmine)

 

 

Editora Ogmios (Seaculum Obscurum):

 

Website: www.seaculumobscurum.com

 

e-mail: editoraogmios@yahoo.com.br



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